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se eu soubesse escrever assim...










era isto que diria...

O Sul tem de ser vivido lentamente.  Com muitas horas a contemplar o mar e o céu, deixando-nos levar pelo embalo das ondas. Sem pensar muito, sem dar muitas voltas (o sentir tantas vezes é tão mais sábio). 

Agarramo-nos demasiado aos sítios, ou à ideia de “eu sou daqui”. Devemos amá-los, vivê-los com paixão enquanto lá estamos, mas não deixam de ser só um lugar que adoptámos, e a sensação de casa, de “este é o meu sitio”, é algo que se pode sentir onde menos esperamos e com uma rapidez tão inesperada que quase parece irreal.

Da necessidade de sentir uma casa adotamos sítios, pessoas, hábitos, rotinas; e de repente estamos totalmente submersos noutra vida, como quem entra dentro de uma personagem de uma história qualquer. Talvez essa seja a diferença entre viajar e ir de férias. Quando não há um destino concreto, nem uma data para voltar, a forma como vivemos os sítios muda completamente e realmente vivemos ali. Pode até ser por poucos dias, mas naquele tempo aquela é a nossa casa. Afinal, não há outra.




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