Avançar para o conteúdo principal

há 10 anos...

No dia 7 de maio de 2005, coloquei este escrito no (nosso) blog gastr'eat:

Laura Esquível: "Como Água para Chocolate"

Romance admirável e que surpreende a cada instante, pela revelação do prazer dos sentidos e pela liberdade criativa da mulher. Em volta da mesa e das receitas fora do comum é possível celebrar a vida e chegar a um êxtase conseguido através de temperos e de odores. Há momentos verdadeiramente especiais nesta obra, os quais nos permitem soltar a imaginação e a vontade. O que aqui surge como mais belo e admirável, é o poder determinante das combinações culinárias e espirituais que culminam em receitas cujos efeitos são totalmente inesperados.

Os chiles em nogado, por exemplo, que depois de degustados provocam sintomas de desejo incontrolável:
" (...) Reconheceu imediatamente o calor nas pernas, as cócegas no centro do corpo, os pensamentos pecaminosos, e decidiu retirar-se com o marido antes de as coisas chegarem a mais. (...) Quando Tita e Pedro se aperceberam só restavam no rancho John, Chencha e eles os dois. Todos os outros já se encontravam no local mais afastado a que puderam chegar, fazendo amor desenfreadamente".
 
Ilustrativo e revelador do poder afrodisíaco dos alimentos, quando cozinhados com paixão, claro! Este é um livro de risos e prantos, amores e desamores, tristezas e alegrias. Também de morte, mas essencialmente de vida: a tia-avó de Tita continuará a viver enquanto houver alguém que cozinhe as suas receitas! E assim se renasce através da comida, dos sentidos e das palavras!
 
 
Nota 1:  Foi há 10 anos!! Que saudades destas leituras e de falar das coisas desta forma!  
Nota 2: Às vezes parece-me difícil ter de novo tempo e imaginação para escrever sobre assuntos "saborosos".
Há 10 anos, o Luís e eu gostávamos de escrever sobre os apetites (e prazeres) em torno da comida, do vinho, da música, dos livros... Acho que está na altura de lembrarmos o mote  "o homem não nasce da fome mas do apetite".  Precisamos de reinventar-nos...para chegar mais a sul.

 

 

Comentários

  1. Pois. Nós, os vossos ouvintes, continuamos por aqui. À escuta dos pequenos pormenores da vida diária que tu (e o Luís) sempre descobrem.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

love always finds a way...

Estás quase a fazer vinte anos, filha. Nasceste na noite de um dos maiores eclipses lunares da década de noventa. A lua escondeu-se para que tu aparecesses. Tornaste-te a nossa linda lua e, talvez por isso, continuas lunar, por vezes. Mas a tua cor de pele, os teus olhos e o teu sorriso não enganam! Tens, igualmente, um sol bem quente dentro de ti! Acontece - acontece - que vais fazer vinte anos! E vais ter (ainda) de te fazer, verdadeiramente, mulher! Sabes bem que respeitamos tudo o que tu tens decidido ser. Também sabes que a nossa única aspiração para ti é que te tornes uma mulher feliz. Que sejas livre para escolher e que nessa liberdade amadureçam as tuas escolhas. Que saibas festejá-las ou fazer-lhes o luto quando necessário. Uma mulher que saiba curar os danos e vê-los como aprendizagens (...) Uma mulher que se respeite-sempre, muito- e se dê ao respeito-sempre, muito. (...) Sabes que não me interessa a profissão ou a cor da pele do teu namorado, quero apenas qu...

passaram vinte anos...

e continuas a ser a mais linda!   Lembra-te que o mundo vai conspirar a teu favor sempre que acreditares, sempre que vires o lado bom das coisas, sempre que seguires pela vida virada para o sol. Lembra-te, acima de tudo, que seremos sempre a tua casa, filha.  PARABÉNS!

ano novo...

Após a renovação, maioritariamente exterior, que imprimimos às nossas vidas em 2015 - com tantas mudanças, jesus! - queremos agora alcançar uma renovação mais interior e que nos leve a poder fruir melhor o presente.  É pois desejo de ano novo, mas também voto de celebração após 24 anos de casamento (a 4 de janeiro num dia de muita luz, perto do mar de Cascais...): Recomeçar a viagem que fazemos juntos.   partir do mesmo lugar, onde regressamos sempre. começar dentro do nosso porto de abrigo, doce, seguro, intocável. o lugar onde residem os abraços, as promessas e os silêncios, as certezas e a esperança.  não vão ser só coisas boas, não vão ser só dias de sol. mas partir com a vantagem de nos termos um ao outro, de confiar na força que nos juntou num lugar improvável, de olharmos para o que somos e sentirmos paz nas nossas escolhas, é tudo quanto nos basta para acreditar que este será um ano bonito.