(...) as mudanças de ciclo são difíceis. quando temos de quebrar com o passado para
seguir o presente. especialmente difíceis, quando estão em causa algumas coisas de que
gostamos, que nos fizeram já felizes, que nos deram vida, mas que apenas
acabam. (...)
tinha tudo para ser bom. e foi. mas depois deixou de ser. acabou. mas rasga a
pele, como aquelas feridas que ficam ali, quase raspão, pele esfolada, que
ardem, moem. sabemos que vão sarar, mas andam ali dias a rasgar.
No dia 4 de janeiro de 1992 dissemos: "sim, aceito." E "prometo amar-te, respeitar-te, ser-te fiel, na riqueza e na pobreza, na saúde e na doença..." Continuamos a ser cumpridores desta promessa. Fazemos planos, partilhamos silêncios, músicas, ideias, sonhos, problemas, contas, alegrias, tristezas, dias maravilhosos e outros tantos cinzentos... e sentimos um orgulho bonito por tudo o que construímos juntos. Temos conseguido recomeçar e reinventar o nosso amor, mesmo nos momentos mais difíceis. O amor carece de paciência. E de tempo. No nosso caso, o amor é já a amizade sublimada, depurada, envelhecida como um bom vinho. Após 29 anos de casamento, continuamos a ter no afeto o oxigénio de cada um dos nossos dias. Acreditamos que amar é também envelhecermos juntos. Repetimos muitas vezes que podia ser bem mais fácil, mas não seria melhor. Somos a morada um do outro. E estamos preparados para mais 29!

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